USUÁRIOS DE DROGAS: O que acontece no cérebro?

Drauzio – Na casa de Detenção, cheguei a ver rapazes de 25 anos com derrame cerebral depois de uma noitada de crack. Os estudiosos da Universidade da Califórnia fizeram experimentos com camundongos, que receberam injeções com cocaína. Drauzio — Conheci alguns que, apesar da insuficiência vascular cerebral, ficavam tontos e caíam no chão quando fumavam, mas não desistiam e logo depois acendiam um cigarro outra vez.

Médicos notaram o "desaparecimento" de região cerebral responsável por desempenhar atividades essenciais

Essa interação entre aspectos psicológicos e efeito farmacológico vai determinar o perfil dos sintomas de abstinência de cada pessoa. A compulsão é menor naquelas que toleram a abstinência um pouco mais, e maior nas que a inquietação é intensa diante do menor sinal da síndrome de abstinência. A dependência química acontece porque determinadas substâncias acionam o sistema de recompensa do cérebro que vai, com o tempo, vai se interessando somente pela sensação de prazer provocada pela droga. Há ainda a fissura, que é a recordação química positiva que o uso da droga traz. Estar no mesmo cenário físico ou psicológico em que a substância foi usada faz com que o cérebro já comece a liberar dopamina, neurotransmissor responsável pelo prazer, o que aumenta ainda mais a vontade de usar a droga.

Usuários de drogas – Álcool

Curitiba, 13 de fevereiro de 2021, escrito por Gilson Rodrigues. Através da mente e dos estímulos cerebrais, podemos sermos criativos, gerar soluções, conseguir enxergar saídas e nos desenvolve pessoal e profissionalmente. Aceleram o raciocínio e as reações, mas não de uma forma positiva.

Como as drogas atuam no sistema nervoso central da pessoa?

Isso tem um impacto bastante negativo na vida dos adolescentes. É por esse mecanismo que voltar aos locais em que a droga foi consumida, a presença de pessoas sob o efeito dela e o estado mental que predispõe ao uso pressionam o usuário para repetir a dose. Comer, se apaixonar, encontrar os amigos, fazer exercícios físicos. Apesar de serem fontes de prazer, essas atividades exigem esforço e nem sempre trazem resultados imediatos. É preciso cozinhar, combinar encontros, socializar, ir à academia… Considerando que, como seres humanos, o nosso objetivo é minimizar a dor e maximizar o prazer, o processo até lá pode ser bastante longo.

O teor de THC depende da variedade da planta, forma de cultivo e preparação do produto, variando desde 0,5 a 2,0% até 60%, como é o caso do haxixe, preparado da resina de folhas e flores dessa erva. O crack é uma droga derivada da cocaína, mas que deve ser fumada devido ao seu ponto de fusão. Ela causa a liberação de uma grande quantidade de dopamina, que dispara sensações de prazer pelo corpo, gerando euforia e estado de alerta. Tais substâncias são tão poderosas que chegam ao cérebro em apenas oito segundos. Geralmente, a dopamina é reabsorvida por neurônios, mas o crack bloqueia a absorção.

Como fica o cérebro de um usuário de drogas?

A internação tem se mostrado a melhor forma de tratamento, mas requer decisão firme da família ou do paciente que precisa ser tratado. O mais importante é nunca esquecer de dar apoio e amor, e além disso, não aceitando o fato de que sozinho a pessoa possa se curar sozinha, pois esse pensamento se trata de uma ilusão. Nossa maior missão é trazer conforto para todos aqueles que de algum modo, estão sofrendo pela dependência química  de um ente querido, que muitas vezes, já perdeu completamente a noção e sobriedade da necessidade de se manter longe desse mal.

No exato instante em que a pessoa vê a cocaína, seu cérebro começa a preparar-se para recebê-la e dispara um mecanismo que chamamos de craving ou fissura. Depois que ficou dependente, é quase impossível alguém ver a droga e resistir ao desejo de usá-la. Por isso, na fase inicial do tratamento, aconselha-se que o usuário se afaste completamente de todos esses estímulos, pois ficará clínica de recuperação de drogas menos difícil lidar com o fenômeno da dependência química. Ronaldo Laranjeira – O mecanismo de recompensa cerebral é importante para a preservação da espécie e ninguém é contra o prazer. Ao contrário, deveríamos estimular o surgimento de inúmeras fontes de prazer. A dependência química, entretanto, cria uma ilusão de prazer que acaba perturbando outros mecanismos cerebrais.

Às vezes, os dependentes passam dois ou três dias fumando e só param quando não suportam mais fisicamente. Aí, comem ou dormem, mas logo depois entram no círculo de novo. O que acontece quando a pessoa fuma, injeta ou cheira cocaína? A droga entope os receptores que reabsorvem a dopamina, deixando-a por mais tempo na sinapse e perpetuando a sensação de prazer. O estudo verificou que quase metade dos usuários (45%) experimentou a substância pela primeira vez antes dos 18 anos e a maioria dos que experimentaram cocaína antes dessa idade era homem.

Por outro lado, a pessoa tolera quantidades maiores de álcool, porque precisa abrandar os efeitos altamente excitantes da cocaína. Ronaldo Laranjeira – De alguma forma, o álcool faz com que a pessoa se sinta mais liberada e use cocaína, um estimulante potente. Para diminuir a excitação, ela torna a beber e, como num círculo vicioso, a usar cocaína. A confusão cerebral aumenta consideravelmente e a tendência é beber ou cheirar mais.

A heroína é uma droga opióide sintetizada a partir da morfina, uma substância natural extraída da planta da papoula. Quando você injeta ou aspira a heroína, o cérebro a converte em morfina. Ela se liga às moléculas no cérebro e no corpo, chamados de receptores opióides, que afetam o modo como percebemos a dor e o sentido de recompensa. Isso explica o fato de que muitas pessoas ficam em um estado de euforia quando injetam a droga. Aliás, a sensação de prazer é tão intensa, que muitos a comparam a um orgasmo.

Ele tenta readaptar-se após a exposição à droga o que, com a repetição do uso, torna o efeito mais rápido e passageiro, contribuindo assim para manutenção da dependência e o aparecimento dos danos causados pela cocaína. Pesquisas recentes revelaram que há uma ligação preocupante entre a heroína e opiáceos analgésicos. Um relatório divulgado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o CDC, descobriu que as pessoas que abusaram de opiáceos foram 40 vezes mais propensas a abusar de heroína. Uma das razões disso acontecer é que, segundo o estudo, ambas as drogas agem de maneira semelhante no cérebro. Apesar de ajudarem no dia-a-dia, o uso excessivo de analgésico pode causar alterações químicas no cérebro e matar algumas células cerebrais.